​O Homem que Tinha Pavor de Velório


Puxa uma cadeira, meu amigo, e escuta essa! História de cidade pequena do interior do Paraná é assim mesmo: se a gente contar, quem é de fora acha que é mentira, mas o povo daqui jura de pé junto que é a pura verdade.

​Essa é a história de seu Antônio Sebastião Albino.

​O Homem que Tinha Pavor de Velório

​Pensa num sujeito simples, mas cismado com uma coisa só na vida: cemitério. O Seu Antônio não podia ver um portão de cemitério que já mudava de calçada, benzia o peito e apertava o passo. Se alguém morria na cidade, ele mandava os pêsames pelo vizinho, porque pisar em solo sagrado ele não pisava de jeito nenhum.

​E ele tinha um bordão que repetia no bar, na praça e na barbearia:

"Povo, escuta o que eu tô falando: eu num vou pro cemitério nem morto!"


​O pessoal dava risada, achava que era só teimosia de caipira. Mal sabiam eles...

​O Mistério na Beira do Lago

​No dia 27 de fevereiro de 2027, Seu Antônio estava naquela idade crítica: quase completando 52 anos. Como o povo costuma dizer, novo demais para ser velho, e velho demais para ser jovem.

​A tarde ia caindo e ele saiu para fazer sua caminhada rotineira perto daquela mata que fica do lado do lago da cidade. Estava um silêncio esquisito. De repente, quem morava perto jurou que viu uma luz estranha no céu, um clarão pisca-pisca que não parecia avião e nem trovão.

​Minutos depois... o Seu Antônio sumiu no ar!

​Quando a família deu falta, foi aquele auê. Correu polícia, veio detetive da capital e baixou até turma de "curioso de internet" gravando vídeo pro celular. Mas sabe o que acharam no local? Apenas duas coisas:

  • ​O boné velho que ele não tirava da cabeça;
  • ​A carteira de RG dele, intacta, jogada na grama.

​O homem tinha sido abduzido por extraterrestres! Não sobrou nem um fio de cabelo pra contar história.

​O Enterro Sem Defunto

​A busca durou mais de um ano. Varreram a mata, mergulharam no lago, mas nada. Sem corpo, não tem crime e nem velório. Passado o tempo da lei, não teve outro jeito: o juiz deu o homem como falecido.

​A família, para dar um descanso pro espírito, resolveu fazer o sepultamento. Mas como enterra quem virou poeira das estrelas?

Fizeram um caixão bem bonito, ajeitaram o boné dele lá dentro, e desceram a madeira na terra.

​Para fechar com chave de ouro, o filho dele mandou gravar na lápide de mármore:

"Num venho pra cá nem morto"

Antônio Sebastião Albino

17/02/1975 – 27/02/2027


​A Ironia do Destino

​E foi assim que Seu Antônio virou lenda no Paraná inteiro. O homem falou a vida inteira e cumpriu a palavra ao pé da letra: pode estar passeando de disco voador em outra galáxia, mas no cemitério da cidade ele não pisou nem depois de morto!

por Alex Sandro Alves 

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