Fala, pessoal! Aqui é o Alex Sandro Alves.
Sejam bem-vindos a mais um texto aqui no O Escritor Dislexo. Hoje eu quero bater um papo reto com vocês sobre uma ferida que a gente costuma cobrir com um band-aid colorido, mas que vira e mexe volta a sangrar: a nossa mania nacional de escolher o caminho mais fácil, mesmo sabendo que ele não é o certo.
Sabe aquele dia em que parece que todos os sonhos de um homem se realizaram? Pois é, para muita gente, esse "sonho" é a recompensa imediata, o ganho sem esforço, o famoso "levar vantagem em tudo". Mas, para entender por que somos assim, a gente precisa olhar para o nosso DNA — e não tô falando de biologia, mas de história.
A Herança do Espelhinho
O Brasil não nasceu de um projeto de nação; nasceu de um saldão. Somos a quinta ex-colônia de Portugal e o resultado de uma mistura que, convenhamos, não foi planejada para dar certo na ética.
De um lado, os nativos: Nossos ancestrais índios que, por pura falta de malícia (ou ignorância do valor das coisas), entregavam as riquezas da terra em troca de espelhos e bugigangas.
Do outro, a dor da África: Pessoas vindas de tribos que perderam guerras internas e foram vendidas por piratas.
E no topo, o degredo: Portugal não mandou para cá sua elite intelectual ou seus heróis. Mandou quem eles queriam longe: os criminosos que aceitavam o exílio na colônia para escapar da prisão perpétua.
Terra Onde "Tudo Dá" (Inclusive o Errado)
Desde que Pero Vaz de Caminha escreveu aquela famosa carta, ficou o estigma de que nesta terra "em se plantando, tudo dá". O problema é que a gente levou isso ao pé da letra para o lado moral também.
A gente plantou a esperteza do criminoso europeu, a resignação do escravizado e a ingenuidade do indígena. Colhemos um país onde a ética é relativa. Se "tudo dá", por que eu vou me esforçar para construir algo sólido se eu posso apenas colher o que já está lá, ou pior, tirar de quem já colheu?
"O brasileiro médio hoje lida com uma dificuldade enorme de interpretação e raciocínio lógico. Com um QI médio que mal alcança os 86 pontos, a gente acaba se tornando refém de soluções mágicas."
O Fácil vs. O Correto
Escolher o que é correto exige esforço, leitura, paciência e, principalmente, abrir mão do prazer imediato. Já o "fácil" é sedutor. É o político que promete picanha sem explicar de onde vem o dinheiro, é o vizinho que puxa o gato na luz, é o profissional que entrega um serviço meia-boca porque "o cliente não entende nada mesmo".
A gente vive em uma crônica eterna de erros repetidos. Enquanto a gente continuar achando que a malandragem é um dom e não um defeito de fabricação das nossas raízes, o "sonho realizado" vai ser sempre uma ilusão passageira que deixa um rastro de subdesenvolvimento.
O Brasil é rico, o Brasil é lindo, mas o Brasil só vai ser grande de verdade quando a gente parar de trocar nossa dignidade por espelhinhos modernos.
E você? Já pegou o caminho mais fácil hoje ou teve coragem de fazer o que é certo?
Um abraço,
Alex Sandro Alves
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