Aqui está um conto provocativo e reflexivo, ambientado em 2048, que mistura distopia, filosofia e crítica social: Talvez eu não esteja neste plano de existência quando essa e outras histórias semelhantes ocorram... Mas digo que isso é uma profecia. Leiam com cuidado!
🕯️ O Último Círculo — Conto passado em 2048
I. O Refúgio
Era 2048. O mundo, agora sob o jugo da Nova Ordem Mundial, brilhava com uma perfeição artificial. Cidades inteligentes, corpos conectados, mentes monitoradas. A História fora reescrita, a Moral reprogramada, e a Ética... esquecida.
Mas nas ruínas de uma antiga biblioteca subterrânea, um grupo de remanescentes — os Guardadores da Lâmpada — se reunia em segredo. Eram estudiosos da velha fé cristã, filósofos autodidatas, e historiadores que se recusaram a aceitar o Grande Reset de 2026, quando os algoritmos tomaram o lugar dos mestres e a Verdade virou variável.
Naquela noite, o tema era sombrio: “O dia em que a Internet deu voz aos ignorantes.”
II. O Cavalo de Tróia
— Foi em meados de 2010 — começou Miriam, a mais velha do grupo — que o cavalo de Tróia passou pelos portões. A Internet, antes biblioteca infinita, virou palco. E quem gritava mais alto, ganhava.
— A sabedoria foi soterrada por opiniões — disse Elias, ex-professor de Ética. — O conhecimento virou moeda de vaidade. E os ignorantes, antes limitados ao silêncio da própria ignorância, ganharam megafones.
— E os sábios? — perguntou Jonas, o mais jovem.
— Silenciados — respondeu Miriam. — Ridicularizados. Cancelados. A multidão não quer ouvir quem pensa. Quer sentir quem grita.
III. O Reset
— O Grande Reset foi apenas consequência — disse Elias. — Quando a verdade virou questão de likes, a realidade foi moldada por algoritmos. A Nova Ordem não precisou impor censura. Bastou deixar que a própria multidão aplaudisse sua prisão.
— A Internet era o cavalo de Tróia — disse Miriam. — Mas fomos nós que o puxamos para dentro. Em nome da liberdade, entregamos nossa consciência.
— E o Cristianismo? — perguntou Jonas.
— Foi desfigurado — respondeu Elias. — Transformado em produto, em slogan, em avatar. A cruz virou ícone de perfil. O arrependimento, uma hashtag.
IV. A Última Chama
O grupo ficou em silêncio. Acima deles, o mundo brilhava em neon e controle. Mas ali, entre livros empoeirados e velas acesas, a chama da reflexão ainda ardia.
— Talvez sejamos os últimos — disse Miriam. — Mas enquanto houver quem questione, quem estude, quem ore... há esperança.
— E se a Internet foi o cavalo de Tróia — disse Jonas — então que sejamos os gregos que ainda sabem o que há dentro dele.
Eles sorriram. Não por otimismo, mas por resistência.
FIM
Por Alex Sandro Alves para o Blog O Escritor Dislexo
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