Dizem que o Criador guarda a sete chaves o dia e a hora em que daremos o último suspiro. Se esse momento batesse à minha porta amanhã, eu já tenho o rascunho do que gostaria de encontrar do outro lado. Eu, Alex Sandro Alves, apenas mais um número de CPF entre milhões de latino-americanos, nascido no interior do Paraná, confesso: se o paraíso for um reflexo do que merecemos ou sonhamos, o meu não seria um lugar estático de harpas e nuvens.
Eu quero um paraíso quântico.
Se a consciência sobrevive à matéria, que ela seja livre para navegar pelo multiverso em frações de microssegundos. Meu "Céu" ideal não teria fronteiras geográficas ou temporais. Nele, eu seria teletransportado da plateia vibrante de um show do Elvis Presley diretamente para as luzes da Broadway, sem filas, sem atrasos, apenas a pura energia da arte.
A gastronomia, claro, seria uma celebração sem fim. Eu me vejo almoçando na melhor churrascaria que o mundo já conheceu — honrando minhas raízes — e, no jantar, apreciando a massa perfeita no melhor restaurante italiano de todos os tempos. E entre uma garfada e outra, a chance de bater um papo reto com qualquer ícone pop ou cultural que já tenha caminhado por esta Terra. Imagine as perguntas, as risadas, as verdades reveladas sem as máscaras do ego.
Gostaria de acordar com o estalar da lenha em uma lareira de um chalé no Canadá, sentindo o frio lá fora apenas para valorizar o calor de dentro, e, no almoço, sentir a brisa do Caribe e o sal do mar na pele. Uma existência multidimensional, onde o "aqui" e o "agora" são todos os lugares ao mesmo tempo.
A Paz da Folha que Cai
Mas, sou um homem de pés no chão, mesmo quando sonho com o multiverso. Se esse paraíso tecnológico e vibrante não for possível, se a física do pós-vida tiver regras mais simples, eu aceito o destino da natureza.
Se ao deixar esta terceira dimensão minha existência tiver que se apagar, que seja como uma folha de árvore.
Gostaria de cair com a mesma leveza, sem resistência, sem medo do impacto. Que eu possa me desintegrar e virar elemento orgânico, adubo para o que virá depois. Sem culpa, sem o peso da consciência, apenas o silêncio absoluto de quem cumpriu seu ciclo e agora descansa na simplicidade da matéria.
Seja no brilho de um palco quântico ou no silêncio da terra fértil, o que importa é que a viagem valeu a pena. Por enquanto, sigo aqui, escrevendo minha história, um dia de cada vez, entre o interior do Paraná e o infinito da imaginação.
Alex Sandro Alves
O Escritor Dislexo
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