Se você resgatar aquele pedaço de papel rabiscado no fundo da gaveta — sim, aquele mesmo com a caligrafia apressada e algumas linhas riscadas no topo —, vai encontrar uma verdade incômoda anotada em tinta vermelha:
"Por mais que você seja inteligente, e sua capacidade seja de maior QI possível, o nível de burrice sempre terá níveis mais altos que superam o que mede a inteligência."
À primeira vista, parece um desabafo cínico. Mas para quem vive as voltas com as palavras, essa frase carrega uma profundidade cirúrgica.
O Teto da Genialidade vs. O Infinito da Tolice
A ciência passou séculos tentando quantificar a mente humana. Criamos testes de QI, métricas acadêmicas e equações complexas para mapear o topo do nosso potencial cognitivo. A inteligência, por mais vasta que seja, é mensurável. Ela tem regras, lógica e, portanto, limites.
A burrice, por outro lado, é uma força da natureza. Ela não segue mapas.
Como bem pontua o manuscrito, não importa o quão alto seja o seu QI ou quão refinada seja a sua capacidade de articulação: o potencial para o absurdo sempre operará em uma escala que desafia qualquer régua. A ignorância convicta não conhece fronteiras; ela simplesmente ignora a existência delas.
O Olhar do Escritor
Para nós do Blog O Escritor Dislexo, que tateamos o mundo através das letras — e muitas vezes lidamos com os nós na cabeça que a dislexia ou a simples frustração com a página em branco nos causam —, essa dinâmica é um combustível fascinante.
Escrever é, essencialmente, uma tentativa de impor ordem ao caos. É buscar a inteligência onde tudo parece confuso. No entanto, o verdadeiro papel do escritor não é apenas celebrar o intelecto, mas também documentar essa "força infinita" que nos cerca. Afinal, a comédia humana, a tragédia política e os melhores enredos da literatura nascem justamente quando a lógica esbarra no incompreensível.
A inteligência pode até ter um teto. Mas é na falta dela que o mundo, paradoxalmente, encontra um horizonte sem fim para os seus erros — e nós, para as nossas histórias.
Gostou da reflexão? Deixe nos comentários: você acha que a burrice realmente tem limite, ou o manuscrito estava coberto de razão?
Por Alex Sandro Alves
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