Dona Odete era o tipo de pessoa que media o tempo pelo que via na janela. E, naquele final de março de 2026, o que ela via era um mundo que parecia ter pressa de recomeçar. As árvores da rua estavam mais verdes, e o burburinho na calçada anunciava: abril estava batendo à porta.
Para Odete, abril não era apenas um mês no calendário; era um portal. Trazia consigo o cheiro de chocolate da Páscoa e o silêncio bom de feriados que pareciam abraços no meio da rotina. Mas, naquele ano, o coração dela estava um pouco murcho. A filha morava longe e as notícias no jornal pareciam sempre cinzas demais.
O Encontro na Fila do Mercado
Tudo mudou em uma terça-feira comum. Odete estava na fila do mercado, tentando decidir se levava um ovo de Páscoa pequeno para si mesma ou se apenas ignorava a data. À sua frente, um rapaz jovem, chamado Lucas, vestia um uniforme de entregador e conferia o saldo no celular com um suspiro pesado.
Ele tinha apenas um pacote de arroz e uma barra de chocolate comum na mão. Quando chegou a vez dele, o cartão passou uma, duas... três vezes. "Recusado".
Lucas baixou a cabeça, as orelhas ficando vermelhas de vergonha.
— Pode deixar, moça. Eu levo só o arroz — disse ele, tentando esconder a frustração.
Dona Odete, que observava tudo, sentiu aquela pontada no peito. Ela não viu apenas um erro no cartão; ela viu o neto que também trabalhava duro, viu a solidão de quem quer celebrar mas não pode.
— Espera aí, meu filho — disse ela, colocando a mão no ombro dele. — Hoje é por minha conta. E leva esse ovo aqui também, o de embalagem azul. É o meu favorito.
A Fé que se Renova
Lucas tentou recusar, mas o olhar de Odete era firme e doce.
— Abril de 2026 está chegando, rapaz. É tempo de Páscoa, de feriado, de respirar. A gente precisa de fé e de saber que não está sozinho. Considere um presente de quem acredita que dias melhores estão logo ali na esquina.
Eles saíram do mercado juntos. Lucas contou que estava economizando para visitar a mãe no interior no feriado de Tiradentes, e que aquele gesto tinha devolvido a ele a esperança de que o mês seria especial. Odete, por sua vez, percebeu que o murcho no seu coração tinha sumido. Ao dar esperança, ela acabou encontrando a dela.
A Moral da História
Abril de 2026 nos lembra que a vida se renova, assim como as estações. Mas a verdadeira vantagem da empatia é que ela é o único investimento que gera lucro para quem dá e para quem recebe.
Quando temos empatia, transformamos feriados em momentos sagrados de conexão. A fé e a esperança não são sentimentos que brotam do nada; elas são construídas nos pequenos gestos de cuidado entre desconhecidos. Ser feliz não é ter tudo, mas saber que, enquanto houver alguém disposto a estender a mão, sempre haverá um motivo para recomeçar.
Autor: Alex Sandro Alves - O Escritor Dislexo
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