O Duelo de Curitiba em um sábado de sol nos anos 90


Disclaimer: Esta é uma história de ficção gerada pelas minhas memórias de viagem à Curitiba desde 1995, onde eu era mais jovem e os tempos eram outros. Qualquer possível semelhança entre personagens e locais é mera coincidência.


Introdução 

Nos anos 1990, Curitiba exalava aquela névoa de modernidade planejada, mas o entorno da Rodoferroviária ainda guardava o caos charmoso das manhãs de sábado. Entre o cheiro de café fresco e o movimento dos ônibus biarticulados vermelhos, um evento inusitado quebrou a rotina da Sete de Setembro.

​O Duelo de Estilo no Mercado Municipal

​O Dr. Aristides, um alfaiate de reputação impoluto e terno de linho impecável, atravessava a calçada com um ar clarividente, como se previsse cada poça de água acumulada da chuva da noite anterior. Ele não suportava o que chamava de "desleixo prosaico" da modernidade que batia à porta.

​Dono de um olhar perspicaz, ele parou diante de uma banca de tecidos. O vendedor, um polonês de poucas palavras, era extremamente cioso de sua mercadoria, vigiando cada cliente como se fosse um espião.

​"A qualidade deste corte é axiomática, doutor! Não precisa nem tocar", bradou o polonês ao ver Aristides se aproximar.

​A Negociação no Balcão

​O alfaiate começou a rechaçar as sugestões de cores vibrantes, preferindo o cinza-chumbo clássico. Os dois passaram a confabular aos sussurros sobre o preço do metro da seda, uma conversa que parecia uma partida de xadrez.

​Aristides queria um resultado profícuo: um terno que resistisse ao vento encanado da capital. Ele explicou seu plano paulatino de reforma:

  1. Concatenar as fibras naturais com forro reforçado.
  2. ​Manter o tecido retesado nos ombros para uma postura altiva.
  3. ​Garantir um acabamento primoroso nas casas dos botões.

​O Desfecho Curitibano

Ao final, o alfaiate saiu com seu embrulho sob o braço, caminhando com a dignidade de quem acabara de salvar a elegância paranaense. O sol batia nos prédios de vidro, e Curitiba continuava sua marcha gradual rumo ao novo milênio, mas com o colarinho devidamente engomado.

Fim

Autor Alex Sandro Alves, Professor de Biologia, Farmacêutico e Escritor 

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