O Peso da Perfeição em Terra de Inversões
Recentemente, me peguei refletindo sobre a cobrança exaustiva que nós, seres humanos — e especialmente nós, que lidamos com as letras de uma forma diferente —, nos impomos diariamente. Vivemos tentando ajustar cada aresta, corrigir cada falha e alcançar um ideal de perfeição que parece sempre fugir por entre os dedos.
Mas, ao olhar pela janela da realidade brasileira atual, a pergunta que fica é: perfeito para quem?
O Dilema da Honra no Século da Vantagem
Vivemos em uma era onde, infelizmente, o Brasil parece ter se tornado a "terra do contrário". Onde a ética é vista como um obstáculo e a imoralidade, quando acompanhada de dinheiro e fama, é aplaudida ou, no mínimo, ignorada. Observamos o florescer daqueles que não têm medo da punição, que atropelam princípios para "levar vantagem em tudo".
Nesse cenário, o brasileiro honesto, o trabalhador que acorda cedo e o indivíduo que mantém sua consciência limpa acabam entrando em uma crise existencial: Ainda compensa ser honrado?
Ser Humano em um Mundo Quebrado
Quando vemos os "maus" prosperarem com tanta facilidade, a nossa tendência é nos cobrar ainda mais. Queremos ser impecáveis para compensar o caos ao redor. Mas a verdade é que essa autopunição é uma armadilha. Ter defeitos, cometer erros de digitação, ter uma leitura mais lenta ou simplesmente não se encaixar nos moldes rígidos da sociedade não são crimes. São marcas da nossa humanidade.
Em um país que muitas vezes premia o antiético, manter-se fiel à sua essência — mesmo com todas as suas limitações — é o maior ato de rebeldia e integridade que podemos exercer.
"Posso não ser perfeito, mas vivo numa era de imperfeições... Então não vou mais me preocupar com isso!"
— Alex Sandro Alves
Conclusão: A Paz de Ser Quem Somos
Não vou mais me punir por ser simplesmente humano. Se o mundo ao meu redor celebra o vazio e a falta de caráter, minha "imperfeição" é, na verdade, um refúgio de autenticidade. Ser ético e ter consciência do certo e errado pode não trazer a fama instantânea dos desonestos, mas traz algo que nenhum dinheiro compra: o sono leve de quem não precisa de máscaras.
Sigamos escrevendo nossa história, com nossos garranchos e tropeços, mas com o coração no lugar certo.
Alex Sandro Alves
O Escritor Dislexo
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