O Baile das Máscaras

Essa é uma história que a gente vê todo dia na fila do pão ou no grupo do WhatsApp, mas que pouca gente para pra olhar de verdade. É a diferença entre o amigo e o cúmplice.


​O Baile das Máscaras

​Em uma cidadezinha qualquer do nosso Brasil, viviam dois homens: o Zeca e o Tião.

​O Zeca era aquele cara que todo mundo chamava de "esperto". Ele sempre dava um jeito de puxar um gato na luz, de furar a fila do banco fingindo dor nas costas e de vender carro batido dizendo que era "único dono, de uma senhora". O Tião, por outro lado, era o "bobão". Pagava os impostos em dia, devolvia o troco quando a caixa se enganava e nunca passava a perna em ninguém.

​A Turma do "Leva Vantagem"

​O Zeca nunca estava sozinho. Ele vivia cercado de gente. Mas se você olhasse bem, não eram amigos. Eram cúmplices.

  • ​Se o Zeca roubava, o compadre dele escondia o roubo porque também queria uma parte.
  • ​Se o Zeca mentia, a vizinha confirmava a mentira porque amanhã ela ia precisar que ele mentisse por ela também.

​Eles se validavam. Quando o Zeca contava vantagem de como enganou alguém, a roda de "amigos" batia palma e dizia: "Cara, você é gênio! O mundo é dos espertos!". Eles precisavam que o Zeca fosse desonesto, porque isso fazia a desonestidade deles parecer normal.

​A Solidão do "Idiota"

​Já o Tião era visto como o chato. Quando ele dizia que não ia participar de um esquema, o povo ria: "Deixa de ser otário, Tião! Ninguém tá vendo. A vida é dura, tem que levar vantagem!".

​No Brasil da "Lei de Gerson", o Tião era o errado. Para a maioria daquela cidade, ser honesto não era uma virtude, era uma falta de inteligência. O Tião não tinha uma multidão em volta dele, porque quem quer andar com alguém que te lembra, só de existir, que você está sendo desonesto?

​O Grande Nó

​A verdade é que as pessoas se juntam por espelhamento:

  1. Os Cúmplices: Se unem pelo erro. Eles não se amam; eles se protegem. Se um cair, entrega o outro, por isso vivem fingindo que está tudo bem. É a união de quem faz a "moral duvidosa" virar a regra do jogo.
  2. Os Amigos: Se unem pelo valor. São poucos, porque ser correto dá trabalho e não traz lucro fácil.

​No final das contas, o Zeca tinha uma mesa cheia de gente, mas se ficasse pobre ou doente, cada um corria para um lado para não serem "contagiados" pelo azar. O Tião tinha poucos ao lado, mas eram pessoas que não precisavam de uma mentira para segurar a mão dele.

Moral da história: No Brasil de hoje, o "esperto" é só um solitário cercado de gente igual a ele, enquanto o "bobão" é o único que dorme com a consciência tranquila

pensem nisso, escolha o seu lado e até o próximo post.

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