Sabe aquela imagem clássica do Apocalipse? Fogo caindo do céu, o Anticristo surgindo na TV, e todo mundo esperando o fim do mundo para a semana que vem?
Pois é. Existe uma linha de pensamento — que faz muito sentido quando você para de ler as manchetes e começa a ler a história — sugerindo que o evento que tanto tememos não está no futuro.
Ele já aconteceu. Quase dois mil anos atrás.
O fim que já foi...
A teoria é a seguinte: o Apocalipse de João não era uma previsão sobre o ano de 2026 ou 2050. Era uma carta codificada para os cristãos que viviam sob o peso de Roma.
Para aquela galera, o "fim do mundo" não era um conceito abstrato; era a destruição de Jerusalém no ano 70 d.C. Imagine o cenário: o Templo em chamas, a cidade sitiada, a sensação real de que o cosmos estava desmoronando. Para quem estava lá, o julgamento tinha chegado. Jesus tinha dito que "esta geração não passará sem que tudo isso aconteça", e, se formos literais, essa geração passou há muito tempo.
A grande invenção
Aí entra a parte que bagunça a cabeça. Depois que Roma percebeu que não conseguiria extinguir o Cristianismo, ela fez o que impérios fazem de melhor: absorveu-o. O Catolicismo foi sintetizado, as arestas foram aparadas e a narrativa mudou.
Em vez de um evento histórico que encerrou uma era e começou outra, o Apocalipse foi "empurrado" para a frente. Ele se tornou uma ferramenta de controle e esperança futura. Criou-se essa figura do "cristão ansioso", que vive olhando para as nuvens esperando ser arrebatado, enquanto ignora o fato de que, talvez, estejamos vivendo no "depois".
Órfãos de um evento passado
O termo Órfãos do Apocalipse define bem o que viramos. Vivemos em um looping eterno, esperando por um clímax que já teve seus créditos subindo na tela séculos atrás. A gente se sente deixado para trás porque a religião institucionalizada precisa que você sinta que algo falta, que o grande final ainda não chegou.
É como se estivéssemos em uma sala de cinema esperando o filme começar, sem perceber que a sessão acabou há horas e o que estamos vendo é só o pessoal da limpeza passando a vassoura.
Se o Apocalipse já aconteceu, a responsabilidade muda de figura. Não estamos mais esperando um resgate milagroso para nos tirar daqui; estamos vivendo no mundo que sobrou, e o "Reino" que João descreveu talvez fosse algo para ser construído agora, e não herdado depois de um desastre nuclear.
O que você acha? Essa ideia de que estamos "atrasados" para o fim do mundo faz sentido para você ou soa como loucura histórica?
Até breve.
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