Onde os bons e inocentes não têm vez


Sabe aquela sensação incômoda de que, às vezes, ser uma "pessoa boa" parece um convite para ser passado para trás?

Eu estava pensando sobre isso hoje e lembrei de uma frase que a gente ouve muito por aí: "Onde os bons e inocentes não têm vez". Ela soa pesada, quase amarga, como se o mundo fosse um lugar exclusivo para os espertalhões ou para quem joga sujo. Mas, se a gente parar para analisar com calma, a questão não é sobre a bondade em si, mas sobre a diferença crucial entre ser bom e ser ingênuo.

A armadilha da inocência:

O problema de ser "bonzinho" demais — daquela forma passiva e sem filtros — é que a inocência, por definição, ignora a malícia alheia. E o mundo, bem, ele não é um jardim de infância. Existem interesses conflitantes, egos inflamados e gente que, infelizmente, só quer levar vantagem.

Quando a gente entra em um projeto ou em um relacionamento esperando que todo mundo tenha o mesmo código de ética que o nosso, sem colocar limites claros, a gente acaba se frustrando. Não é que os bons não tenham vez; é que a inocência desprotegida raramente sobrevive ao mundo real.

Bondade com "dentes"

O que eu aprendi com o tempo é que a bondade mais eficaz é aquela que vem acompanhada de consciência. É o que alguns chamam de ser "prudente como as serpentes e simples como as pombas".

 * Ter limites não te faz uma pessoa ruim. Dizer "não" para um abuso de confiança é, na verdade, um ato de respeito por você mesmo.
 * Observar antes de confiar. A confiança não deve ser um padrão automático, mas algo que as pessoas conquistam.
 * Conhecer as regras do jogo. Você não precisa jogar sujo, mas precisa entender como os outros jogam para não ser pego de surpresa.

Ocupando espaço

Se a gente aceita a ideia de que o mundo é só dos "maus", a gente entrega o controle para eles. O desafio é justamente ocupar os espaços sendo uma pessoa íntegra, mas com os olhos bem abertos.

No fim das contas, os bons têm vez sim. Mas são os bons que aprenderam a ser estratégicos, que sabem ler o ambiente e que não confundem gentileza com falta de postura. A bondade sem discernimento é frágil, mas a bondade consciente é uma força difícil de derrubar.

E você? Já sentiu que sua boa vontade foi testada por esse tipo de situação?

Até breve!


Comentários