Nas ruas estreitas e poeirentas onde o vento parecia soprar sempre contra, a vida de Alex começou com o maior dos silêncios: o abandono. Deixado para trás ainda menino, foi acolhido na casa de parentes distantes, onde o espaço era escasso e o afeto, uma mercadoria rara. Ali, Alex entendeu cedo que a linha de partida nunca é igual para todos.
Enquanto os meninos da sua idade caminhavam no ritmo brando do cotidiano — os chamados "normais", que tinham refúgio, incentivo e portas abertas —, Alex precisava correr. Para ter a mesma chance que os outros recebiam de graça, seu esforço tinha que ser o dobro; nos dias mais difíceis, o triplo.
A rotina de Alex não era uma caminhada, era uma batalha diária. Acordava antes do sol levantar o véu da noite. Cada manhã trazia um novo desafio, uma nova montanha para escalar. A vida cobrava-lhe preço alto por cada pequena vitória, transformando a sobrevivência num exercício contínuo de resistência: era preciso matar um leão por dia para garantir o pão e o espaço, e espantar as hienas ao anoitecer — a inveja, a descrença alheia, o cansaço esmagador e aquele sussurro cruel da dúvida que tenta convencer os fracos a desistir.
Mas Alex trazia dentro do peito algo que ninguém conseguiria roubar: uma chama teimosa. Ele aprendeu a não olhar para o topo da montanha quando a subida parecia impossível; olhava apenas para o próximo passo. Lutou um dia de cada vez.
Quando as pernas fraquejavam na faculdade noturna, depois de doze horas de trabalho braçal, ele fechava os olhos e ouvia o eco da sua própria determinação. Quando os julgamentos e as portas fechadas tentavam empurrá-lo para o chão, ele respirava fundo, ajustava a postura e continuava. A dor do suor era passageira; a marca da vitória, eterna.
Os anos passaram e o menino que nada tinha tornou-se o homem que nada podia deter. Cada cicatriz virou armadura. Cada "não" recebido transformou-se no combustível de sua trajetória. Alex não conquistou o topo por sorte ou destino, mas por ter recusado o papel de vítima que a vida lhe ofereceu. Lutou com a garra de quem sabe o valor de cada centímetro conquistado.
Lutou até o fim. E quando finalmente cruzou a linha de chegada da sua própria história, de cabeça erguida e com o mundo aos seus pés, o eco que o acompanhou por toda a jornada transformou-se num brado inseparável de sua alma:
Vai Alex, Vai! Go Alex, Go!
Fim
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