O Cristal Quebrado
No boteco da esquina, onde o cheiro de madeira velha se mistura com o da pinga amarela, seu Joaquim senta sempre na mesma mesa.
O copo de whisky, que já viu mais histórias do que muito livro, repousa diante dele — rachado, mas ainda firme.
Ele ri sozinho, lembrando das aventuras da juventude: das corridas de bicicleta para impressionar a moça da escola, das serenatas desafinadas ao som de sertanejo antigo, das vitórias no campo de futebol de várzea e das conversas intermináveis com amigos que hoje descansam em outros botecos, lá do céu.
A saudade da esposa é uma companheira silenciosa. Os filhos e netos, longe, mandam mensagens frias de “bom dia” pelo celular. Mas seu Joaquim prefere o calor da lembrança: o cheiro do bolo de fubá que ela fazia, o abraço apertado depois de uma briga boba, o olhar cúmplice quando a vida parecia dura demais.
Enquanto a música toca no rádio — um clássico de Tonico e Tinoco — ele observa o copo rachado. “Esse trem vai quebrar uma hora dessas”, pensa. E ri, porque sabe que ele também está rachado. Um sobrevivente do século passado, esperando sua vez de ser reciclado pela vida.
O gole da pinga desce queimando, mas traz conforto. Ele se vê como aquele cristal: um dia vai se partir, virar cacos, talvez renascer em outro copo. Poucos se lembrarão dele, mas quem lembrar vai sorrir, porque Joaquim nunca deixou de brindar, mesmo na solidão.
Moral da história
A vida é como um copo rachado: frágil, mas ainda capaz de segurar momentos preciosos. O segredo não está em evitar a quebra, mas em saborear cada gole antes que o cristal se desfaça.
Observação:
"Este é um.conto de Ficção baseado em acontecimentos reais, afinal o ser humano sem.notar, segue padrões repetidos..."
Fim
Autor Alex Sandro Alves
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