Meio sonho é melhor do que nada

Sente-se, relaxe e prepare-se porque lá vem história, daquelas que eu, o autor desse blog, tem nas noites de insonia.

Mesmo sendo um Dislexo que ironicamente escreve um blog com temas as vezes são tão profundos e intelectuais que contrariam a condição biológica e de julgamento social que eu passei e passo cotidiana mente.

Meio sonho é melhor do que nada

Meu nome é digamos: Lauro Bragança, (nome fictício,  apenas para dar um tom mais humano a esta ficção).

Olha, se você me perguntasse aos vinte anos onde eu achava que deveria estar hoje, eu provavelmente não sabendo que não era o padrão que de beleza e talento que o mundo perfeito é ilusório nos convence todo dia, e que não ligava para os julgamentos daqueles que eu convivia, descreveria que merecia viver num palco em Londres ou uma galeria em Paris. 

Eu queria ser o cara que cria a beleza, entende? O artista, o poeta ou aquele que marca o tempo e espaço e que deixa sua marca no mundo: um legado!

Mas o tempo é um bicho engraçado; ele não corre, ele desgasta. Hoje, aos quase 51 anos, eu não sou o artista principal. Eu sou o cara que monta a iluminação para os artistas, em resumo sempre fui e continuo sendo o cara dos bastidores.

E é sobre isso que eu estava pensando hoje cedo, enquanto ajustava um refletor para um garoto de vinte e poucos anos que mal sabe segurar um violão, mas tem "presença" , carisma e padrão que a mídia julga como aceitável.

O Palco de Outros Pés

Minha rotina no sentido figurado é técnica. Cabos, faders, voltagem e o cheiro de poeira de teatro. Eu vivo o sonho da música toda santa noite, mas não é a minha música. Eu ouço o aplauso, sinto a vibração do baixo no peito e vejo a fumaça subir. É o sonho de alguém, e eu estou ali, nos bastidores, garantindo que ele não apague.

Dói? Às vezes. Tem noites em que a luz bate no centro do palco e eu fecho os olhos por um segundo, imaginando que o silêncio que precede o show é para mim. Mas aí o rádio chia no meu ouvido: "Clica na luz 4, agora!", e eu volto para o chão.

A Ilusão da Plenitude

Sabe, eu observo essa gente que "chegou lá". Os belos, os fortes, os caras que estampam as capas de revista e têm a conta bancária que eu não teria em dez vidas. Sabe o que eu aprendi de trás das cortinas? Ninguém tem tudo.
 * Vi a cantora mais linda do país chorar no camarim porque se sente sozinha.
 * Vi o empresário mais rico tremer de ansiedade antes de um discurso, com medo de ser descoberto como uma fraude.
 * Vi o atleta perfeito com o joelho destruído, rezando para que a anestesia segure a dor por mais uma hora.

A gente olha de longe e acha que a vida deles é um quadro pronto. De perto, é uma colagem cheia de remendos, igual à minha e à sua.

Por que "Meio Sonho" Basta?

Tem um conforto estranho em aceitar o "meio". Eu não sou o gênio da música, mas eu sou o mestre da luz que faz o gênio brilhar. Se eu não tivesse esse trabalho, eu estaria num escritório contando as horas para o fim de semana. Em vez disso, eu respiro arte, mesmo que seja o oxigênio que sobra dos outros.

Meio sonho é melhor do que nada. É o que mantém a engrenagem girando. Se todo mundo fosse o protagonista, não teria quem cuidasse do cenário, e sem cenário, o show é só um cara gritando no escuro.

Eu não realizei o meu plano A. Mas o meu plano B me permite ver o pôr do sol de cima de um trio elétrico e tomar uma cerveja gelada ouvindo histórias que a maioria das pessoas só vê pela TV. Não é o 100%, mas é um 50% muito honesto.

No fim das contas, a perfeição é uma invenção de quem quer vender algo para a gente. Eu fico aqui com a minha meia luz, meu café morno e a satisfação de saber que, mesmo não sendo a estrela, eu sou o motivo pelo qual as pessoas conseguem enxergá-la.

E você? Já parou para pensar em qual pedaço do seu sonho você está pisando agora, mesmo que não seja o chão inteiro?

Até breve.

O Autor 


Comentários