O texto deste post para o Blog O Escritor Dislexo foca na ingratidão do acúmulo de funções e no peso de não ser valorizado num país em numa década onde bons funcionários são punidos com mais trabalho e pessoas com menos preparo são promovidas com salários maiores e títulos agradáveis que muitos querem estar. ser um.idiota de baixo qi e moral questionável como chefe que sua vida é idolatrada na mídia oficial e redes sociais.
O Coordenador de Sombras: Quando a Ética Vira Corrente
O frio da Agência Transfusional não vem apenas das geladeiras de hemocomponentes. Ele vem do silêncio das 4 da manhã, interrompido apenas pelo zumbido dos aparelhos e pela minha própria mente acelerada. Eu, Renato das Dores, farmacêutico e promotor de saúde da Secretaria de Saúde de um dos estados do Brasil, olho para o crachá e me pergunto onde o homem terminou e a máquina burocrática começou.
Sou disléxico. Minha vida inteira foi um esforço de guerra para provar que eu era capaz. E eu provei. Provei tanto que me deram a coordenação. Mas não me deram o salário, não me deram o descanso, nem o respeito dos que me cercam. Deram-me apenas o "trabalho extra" e a responsabilidade jurídica de cada bolsa de sangue que sai daqui sob pressão dos hospitais e o chicote da Leis e Regras Sanitárias.
A depressão e a insônia são as medalhas que ganhei por nunca saber dizer "não".
Diálogo no Clube dos Anestesiados: O Peso do Cargo Vazio
Renato das Dores: "Minha memória está falhando, Elton ( Servidor que mora em outra cidade, já tem uma drogaria e laboratório próprio)!. Eu confiro o mapa de temperatura dez vezes e, na décima primeira, já não lembro o que li na primeira. A dislexia parece ter se aliado à ansiedade para me sabotar de vez. E a inveja... sinto os olhares nos corredores, gente que me acha 'indigno', como se eu estivesse aqui por privilégio e não por sacrifício."
Elton Eduardo (Farmacêutico e Colega de Trincheira): "Eu te avisei, Renato. Lembra o que eu te disse naquele plantão de domingo? Não adianta nada você ostentar esse título de 'Coordenador da Agência Transfusional' se o Estado não te paga um centavo a mais por isso. Você aceitou a coroa de espinhos, mas a conta bancária continua a mesma de quem só bate o ponto e vai embora."
Renato das Dores: "Mas é a ética, Elton... o compromisso com o sangue, com o paciente..."
Elton Eduardo: "Ética não cura burnout, meu amigo. O que você chama de compromisso, o sistema chama de 'mão de obra barata'. Você está acumulando funções burocráticas, plantões noturnos e madrugadas em claro para quê? Para ser severamente cobrado pela Vigilância e ainda ter que aguentar fofoca de corredor? Você virou o alvo perfeito: trabalha por três e não reclama de nada."
Renato das Dores: "Eu me sinto em uma armadilha. Aos 51 anos, com esses lapsos de memória, tenho medo de errar. Mas o meu excesso de moral me diz que se eu parar, tudo desmorona."
Elton Eduardo: "O mundo não para se você descer do ônibus, Renato. O que desmorona é a sua saúde. Essa coordenação sem remuneração é o símbolo da nossa classe: somos essenciais para os hospitais, mas invisíveis para o contracheque. Você está sendo 'anestesiado' pela própria responsabilidade. Acorda antes que o próximo lapso de memória seja algo que nem a sua ética consiga consertar."
Nota do Blog: No Clube dos Anestesiados, ser "coordenador" muitas vezes é apenas o nome chique para ser aquele que apaga o incêndio enquanto a própria casa queima.
Renato das Dores a cada dia mais doente e com receio que seu trabalho cause problemas para futuros pacientes e seja descartável pelo sistema na qual não encontra um atalho para solucionar a grande confusão que está envolvido, se sente refém das situações... Resignado quase abandonando a fé, não sabe como solucionar um problema que ele mesmo começou e não sabe como sair de modo digino...
Todos somos especialistas em analisar e julgar os problemas dos outros, isto é fato, mesmo que não consigamos resolver nossos próprios dilelas.. Mas deixe sua sugestão a Renato das Dores!
Fim
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