Era 31 de dezembro. O relógio marcava 23h45, e a cidade pulsava em expectativa. Fogos de artifício já começavam a iluminar o céu, refletindo nos rostos ansiosos que aguardavam a virada do ano. No meio da multidão, Laura segurava uma taça de espumante, observando a euforia ao seu redor. Mas, dentro dela, um misto de emoções brigava por espaço.
O último dia do ano sempre trazia reflexões inevitáveis. As promessas feitas em janeiro, os planos traçados com entusiasmo… e o que, no fim, não aconteceu. O curso que ela queria iniciar? Ficou para depois. O sonho de viajar? Adiado por despesas inesperadas. As mudanças pessoais que jurara implementar? Algumas fracassaram antes mesmo de começar.
— Mais um ano se foi, e eu não fiz metade do que planejei — murmurou para si mesma.
Ao seu lado, Miguel, um amigo de longa data, sorriu ao ouvir a lamentação.
— Sabe, Laura… sempre pensamos no que não deu certo, mas esquecemos de tudo o que superamos.
Ela virou-se para encará-lo, intrigada.
— Superamos?
— Claro! Você pode não ter feito aquela viagem, mas economizou para algo maior. Pode não ter iniciado o curso, mas aprendeu muito com as experiências do ano. As mudanças que queria? Algumas você conseguiu, mesmo que pequenas.
Laura refletiu por um instante. De fato, o ano não tinha sido uma linha reta, mas havia histórias que mereciam ser valorizadas.
— Então, ao invés de focar no que não aconteceu, devo olhar para o que consegui?
Miguel deu um gole em sua bebida e assentiu.
— E mais que isso, olhar para o que está por vir. O ano novo não é um julgamento sobre o que passou, mas uma nova oportunidade.
Laura sorriu, e ao longe, viu os primeiros segundos do novo ano surgirem.
3… 2… 1… Feliz Ano Novo!
Os fogos explodiram, os abraços foram trocados, e Laura fechou os olhos por um instante. No fundo, decidiu que naquele novo ciclo, não se prenderia ao que não aconteceu—mas ao que ainda poderia acontecer.
#FIM#

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