Este é um conto sobre Felicidade e vida boa, que a maioria acredita que somente dinheiro e fama os trás e a sua s faltas tornam a ideia central impossível. Mas se esses julgamentos estão equivocados?
Boa leitura!
O Homem da Estante de Ouro
Era uma vez um homem chamado Vitor. Vitor passou a vida inteira acreditando que a felicidade era um troféu de ouro maciço que ficava no topo de uma montanha chamada "Sucesso".
Ele correu tanto que seus pés sangraram. Ele trabalhou tanto que esqueceu o cheiro da chuva.
Eventualmente, ele chegou lá. Ele conseguiu o dinheiro, a fama e viajou para todos os países do mapa. Ele construiu uma mansão com uma sala enorme, apenas para colocar o seu troféu.
Mas, quando ele finalmente segurou o troféu de "Homem Mais Feliz do Mundo", sentiu algo estranho: o troféu era pesado demais. Para segurá-lo, ele não podia abraçar ninguém. Para polir o ouro, ele não tinha tempo de dormir.
A sociedade olhava para Vitor pelas redes sociais e dizia: "Vejam! Ele ganhou! Ele tem o troféu!". Mas, por dentro, Vitor se sentia vazio. Quando ele confessava que estava triste, as pessoas o chamavam de louco. "Como você pode estar mal se tem o troféu que todos nós queremos?", diziam. Vitor começou a achar que era doente, pois tinha tudo o que o mundo chama de "vida boa", mas o troféu não brilhava no escuro da sua solidão.
O Homem do Pote de Barro
Do outro lado da cidade, vivia Simão. Simão morava em uma casa simples e trabalhava com as mãos. Ele não tinha troféus de ouro. Na verdade, a estante dele era cheia de coisas sem valor de mercado: uma concha da praia, o desenho de um neto, uma caneca de café remendada.
Um dia, Vitor passou pela casa de Simão e perguntou, com desdém:
— Onde está o seu troféu? Por que você sorri se não ganhou a corrida?
Simão, com a calma de quem não tem pressa, respondeu:
— O meu troféu não é de ouro, Vitor. O meu troféu é o tempo.
Simão explicou que a "vida boa" não é um prêmio que você recebe no final de uma corrida, mas o jeito que você caminha enquanto a corrida acontece.
Para Simão, o troféu da felicidade era invisível: era o gosto do pão quente, o silêncio da tarde e a liberdade de não precisar provar nada para ninguém.
A Grande Ilusão
A diferença entre os dois era simples, mas profunda:
* Para a maioria (A Ilusão): Felicidade é um troféu que você exibe para os outros sentirem inveja. Se você tem dinheiro e fama, a sociedade te dá o troféu à força e te proíbe de ficar triste.
* Para a alma (A Verdade): Felicidade é um troféu que você sente por dentro. Às vezes, ele cabe numa xícara de café ou num abraço de quem te ama de verdade.
Vitor percebeu que tinha passado a vida colecionando o que os outros achavam bonito, enquanto Simão colecionava o que fazia o seu coração bater devagar e em paz.
No fim das contas, a felicidade não é o grande prêmio de quem chega em primeiro lugar. O verdadeiro troféu de ouro é, na verdade, descobrir que você não precisa de troféu nenhum para ser feliz. A "vida boa" não é ter muito; é precisar de pouco para estar satisfeito.
Fim
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