🧘♂️ Paz ou Razão? – Um Conto sobre Escolhas
Carlos era gerente de projetos numa grande empresa de tecnologia. Seu dia começava antes do sol nascer e terminava bem depois que ele se punha. Reuniões tensas, prazos apertados, conflitos entre equipes. Em casa, a situação não era muito diferente. A esposa, Mariana, sentia-se negligenciada, e os filhos mal viam o pai. Discussões se tornaram rotina, e Carlos, sempre tentando provar seu ponto, acabava vencendo argumentos — mas perdendo afeto.
Uma noite, após mais uma briga em casa e um dia infernal no trabalho, Carlos saiu para caminhar. Sem rumo, acabou entrando num parque pouco iluminado, onde um senhor de cabelos brancos que se chamava Ataliba um filósofo para muitos, de olhar sereno estava sentado num banco, alimentando os pombos.
— Parece que carrega o mundo nas costas — disse o velho, sem olhar para Carlos.
Carlos, surpreso, respondeu:
— É... trabalho, família... tudo parece um campo de batalha. E eu sempre tenho que estar certo. Se não estiver, tudo desmorona.
O velho sorriu com gentileza.
— Posso te fazer uma pergunta?
Carlos assentiu.
— Você prefere ter paz ou razão?
Carlos franziu a testa. A pergunta parecia simples, mas algo nela o desarmou.
— Se eu não tiver razão, perco respeito. No trabalho, preciso mostrar que estou certo. Em casa, se eu ceder, parece que estou errado...
O velho balançou a cabeça lentamente.
— Às vezes, insistir em ter razão é como tentar vencer uma guerra que não precisava acontecer. A paz não é fraqueza. É sabedoria. Quando você escolhe a paz, você escolhe o que realmente importa: conexão, harmonia, saúde mental.
Carlos sentou-se ao lado dele, em silêncio.
— Veja os pássaros — continuou o velho. — Eles não discutem sobre quem tem razão. Eles cantam, mesmo quando chove. Você pode estar certo e ainda assim perder tudo que ama. Mas se escolher a paz, talvez descubra que não precisa estar certo o tempo todo para ser feliz.
Naquela noite, Carlos voltou para casa diferente. Pediu desculpas à esposa sem justificar. Ouviu seus filhos sem interromper. No trabalho, começou a perguntar mais e afirmar menos. E, curiosamente, o respeito que achava que perderia... aumentou.
A pergunta do velho ecoava em sua mente sempre que o estresse o tentava:
"Você prefere ter paz ou razão?"
E, cada vez mais, Carlos escolhia a paz.
FIM
Comentários
Postar um comentário