🌸 O conto do Vaso Rachado
No vilarejo de Esperança, havia uma senhora chamada Dona Alzira, conhecida por seu jardim encantado. Rosas, lÃrios, margaridas — todas floresciam com uma beleza que parecia tocar o céu. Mas o que poucos sabiam era o segredo por trás daquele esplendor.
Dona Alzira tinha dois vasos de barro que usava para buscar água no riacho todos os dias. Um deles era perfeito, sem nenhuma imperfeição. O outro, porém, tinha rachaduras visÃveis, marcas do tempo e de quedas passadas. Os vizinhos frequentemente sugeriam que ela o trocasse.
— "Esse vaso rachado só desperdiça água, Alzira. Compre um novo!" — diziam.
Mas ela apenas sorria e continuava sua rotina.
O vaso rachado, chamado de Tobias, sentia-se inútil. A cada viagem ao riacho, ele lamentava:
— "Desculpe, Dona Alzira. Eu não consigo segurar toda a água. Sou quebrado demais."
Ela acariciava suas bordas e respondia com ternura:
— "Ah, Tobias... você não imagina o quanto é valioso."
Curioso, Tobias começou a observar o caminho de volta do riacho. E então percebeu: por onde suas rachaduras deixavam a água escorrer, pequenas flores brotavam. Margaridas, violetas, até girassóis começaram a surgir ao longo da trilha.
Com o tempo, aquele caminho se tornou uma trilha florida, admirada por todos. Crianças brincavam entre as flores, casais passeavam de mãos dadas, e até os pássaros pareciam cantar mais alto ali.
Tobias finalmente entendeu. Suas rachaduras, que ele via como falhas, eram canais de vida. Ele não era menos útil — era essencial.
Dona Alzira, com um olhar sábio, disse um dia:
— "Deus usa até o que está quebrado para espalhar beleza. Cada rachadura sua foi um espaço para florescer amor."
E assim, Tobias floresceu. Não por estar inteiro, mas por ter permitido que suas imperfeições se tornassem caminhos de cura e propósito.
FIM
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