A Parábola da Verdade e da Mentira 2

Aqui está um conto em forma de parábola, com um toque de mito e reflexão sobre a natureza humana:

🌒 A Parábola da Verdade e da Mentira 2

Há muito tempo, quando o mundo ainda era jovem e os homens conversavam com as estrelas, dois irmãos caminhavam entre os mortais: Verdade e Mentira.

Ambos eram belos, mas de formas diferentes. Verdade era nua, sem adornos, sem véus. Sua pele brilhava com a luz do sol, mas seus olhos eram profundos e às vezes assustadores. Mentira, por outro lado, vestia-se com tecidos coloridos, perfumes doces e palavras encantadas. Onde passava, deixava risos e suspiros.

Um dia, os dois decidiram visitar uma aldeia de humanos. Verdade chegou primeiro. Sentou-se na praça, contou histórias reais — sobre dor, sobre coragem, sobre perdas e renascimentos. Alguns escutaram, mas muitos desviaram o olhar. “Ela fala demais sobre o que não queremos lembrar”, diziam.

Quando Mentira chegou, trouxe contos de heróis invencíveis, amores eternos e finais felizes. Suas palavras eram como vinho: aqueciam, entorpeciam, faziam esquecer. A multidão aplaudiu, dançou, cantou. E quando ela partiu, deixaram-lhe presentes e prometeram construir um templo em sua honra.

Verdade, ao ver isso, chorou. Não por inveja, mas por compreender. Ela sabia que os humanos não buscavam o que era real — buscavam o que era confortável.

Então, Verdade se retirou para as montanhas, onde poucos ousavam subir. E lá ficou, esperando por aqueles raros que preferem o frio da lucidez ao calor da ilusão.

Mentira, por sua vez, desceu aos vales e multiplicou-se. Vestiu-se de religião, de política, de romance, de esperança. E os humanos, geração após geração, a acolheram como mãe, como guia, como amiga.

Mas há um segredo que poucos conhecem: às vezes, Verdade desce disfarçada. Ela veste os trajes de Mentira, conta histórias com sorrisos, e assim, planta sementes nos corações. Porque até a Verdade aprendeu que, para ser ouvida, precisa primeiro fazer sorrir.

FIM

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