A Lenda dos Perpétuos

🌌 A Lenda dos Perpétuos

Capítulo I – O Princípio

Dizem que antes mesmo da primeira estrela brilhar no véu da noite, sete entidades despertaram do vazio. Não eram deuses, pois não exigiam adoração. Não eram demônios, pois não buscavam destruição. Eram os Perpétuos — irmãos e irmãs, arquétipos eternos que moldam e acompanham a humanidade desde o primeiro suspiro até o último suspiro do tempo.

Eles são:


Capítulo II – O Conselho dos Eternos

Num tempo anterior à linguagem, os Perpétuos se reuniram pela primeira vez. O mundo ainda era jovem, e os humanos rastejavam entre fogueiras e sombras.

Destino, com seu livro acorrentado ao pulso, falou sem mover os lábios:

> “Cada um de nós terá um papel. A humanidade nos seguirá, mesmo sem saber.”

Morte sorriu com ternura:

> “Eles me temerão, mas também me encontrarão com paz. Eu os guiarei quando tudo terminar.”

Sonho, envolto em névoa estrelada, murmurou:

> “Nos seus sonhos, eles me verão como reis, monstros e amantes. Eu serei o espelho da alma.”

Destruição, com olhos de fogo, hesitou:

> “Eu não quero ser apenas ruína. Mas sei que onde há criação, há destruição. Estarei lá.”

Desejo, com um sorriso cortante:

> “Eles me desejarão. Uns por amor, outros por poder. E eu os farei mover mundos por mim.”

Desespero, com ganchos nas mãos, apenas disse:

> “Eles me conhecerão nos quartos escuros, nas perdas, nos silêncios. Eu serei inevitável.”

Delírio, girando entre borboletas invisíveis, riu:

> “E eu serei tudo o que não faz sentido! Pinturas que choram, músicas que mordem, palavras que dançam!”

Capítulo III – Ecos na História

🏺 Grécia Antiga

Durante a peste de Atenas, Morte caminhou entre os templos. Um jovem filósofo, Sócrates, a viu em sonho e escreveu sobre a aceitação do fim. Sonho inspirou Platão a imaginar mundos além do real.

⚔️ Idade Média

Na Peste Negra, Desespero reinou. Mas Delírio também dançava entre os enlouquecidos, sussurrando visões que mais tarde seriam chamadas de arte sacra. Desejo inflamava corações em tempos de guerra e fé.

📜 Renascimento

Sonho visitou Leonardo da Vinci, oferecendo visões de máquinas voadoras. Destruição, curioso, observava os alquimistas tentando transformar chumbo em ouro — e riu quando tudo virou pó.

🔥 Século XX

Durante a Segunda Guerra Mundial, Destruição chorou ao ver Hiroshima. Desespero se alimentou dos campos de concentração. Mas Morte caminhou entre os escombros, levando crianças pela mão com ternura.

Delírio inspirou movimentos artísticos como o surrealismo. Desejo moveu revoluções. Destino apenas virou uma página.

Capítulo IV – O Conflito

Em tempos modernos, os Perpétuos começaram a divergir.

Destruição abandonou seu posto, buscando viver entre humanos como um artista recluso.

Desejo conspirava contra Sonho, tentando provar que o amor e o desejo eram mais poderosos que os sonhos.

Sonho, ferido por traições e perdas, enfrentou dilemas sobre seu papel. Em uma noite chuvosa, ele encontrou Morte.

> Sonho: “Eles não me entendem mais. Sonham com máquinas, não com estrelas.”

> Morte: “Eles ainda precisam de ti. Mesmo que não saibam. O sonho é o que os mantém humanos.”

Capítulo V – O Eterno Retorno

A lenda diz que os Perpétuos nunca morrem. Eles mudam, se transformam, mas sempre retornam. Quando o último humano respirar, Morte o levará pela mão. E Destino fechará seu livro.

Mas até lá, os sete caminham entre nós.

- Quando você deseja algo com todo o coração, Desejo está ao seu lado.
- Quando você chora sozinho, Desespero te observa.
- Quando você cria algo belo, Sonho te inspira.
- Quando tudo parece sem sentido, Delírio te abraça.
- Quando tudo muda, Destruição te guia.
- Quando tudo termina, Morte te acolhe.
- E quando tudo começa e termina, Destino já sabia.

Continua...

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