Coma os morangos


🍓 Coma os morango do Amor — Um conto sobre medo, sabor e sabedoria

Havia um homem chamado Bento, simples, curioso e um pouco teimoso. Vivia entre trilhas e montanhas, sempre em busca de algo que nem ele sabia nomear. Numa tarde quente, enquanto explorava uma floresta densa, ouviu um rugido que fez o chão tremer: um urso colossal, faminto e raivoso, surgia entre as árvores.

Bento correu como nunca. Pulou pedras, desviou de galhos, até que, sem saída, lançou-se de um desfiladeiro. No voo desesperado, agarrou-se a uma árvore que crescia na lateral do abismo. Lá ficou, pendurado entre o céu e o abismo, com o urso rosnando no alto e o vazio chamando embaixo.

O tempo parou.

O suor escorria, o coração batia como tambor de escola de samba. Mas então, algo brilhou entre as folhas da árvore: morangos. Vermelhos, perfeitos, suculentos. Bento, entre o terror e a fome, teve um insight — por que se preocupar tanto com o que não podia controlar?

Com um sorriso quase infantil, colheu um morango. Mordeu. O sabor era celestial. Naquele instante, o medo se dissolveu. Ele comeu mais, saboreando cada segundo como se fosse o último — e talvez fosse.

Mas não foi.

Algumas horas depois, o urso foi embora, entediado ou talvez tocado pela serenidade de Bento. O homem escalou de volta, sujo, exausto, mas transformado.

De volta à cidade, Bento teve uma ideia: criar o Morango do Amor. Inspirado na maçã do amor das festas juninas, ele mergulhou morangos em leite condensado, polvilhou leite em pó e tingiu com corante vermelho. O resultado? Uma explosão de sabor e afeto.

O doce virou febre. De Ivaiporã a Belém, de escolas a casamentos, o Morango do Amor virou símbolo de alegria e resistência.

Mas mais do que o doce, Bento espalhou sua filosofia:

> “Mesmo cercado por predadores, refugiado à beira do precipício… relaxe. Coma os morangos. E se tiver amor, melhor ainda!

FIM 

O Autor 

Comentários