Era uma vez um jovem e habilidoso pedreiro chamado Daniel, conhecido por sua dedicação incansável e pela perfeição com que esculpia cada pedra. Certo dia, Daniel encontrou um vasto e fértil vale pertencente a um poderoso senhor da região. O senhor, vendo o talento do jovem, disse-lhe:
— Construa aqui a sua fortaleza. Use as minhas pedras, o meu solo e o meu suprimento. Enquanto as paredes subirem, você terá um teto sobre a cabeça e a admiração de todos que passarem por esta estrada.
Maravilhado com a oportunidade e seduzido pela grandeza da promessa, Daniel dedicou seus melhores anos àquela obra. Ele não apenas construía; ele entregava a própria alma em cada fundação. Deixou de cultivar seu próprio jardim, esqueceu de erguer sua pequena cabana nas terras que herdara de seus pais e passou a medir seu próprio valor pelo tamanho das torres que levantava para o senhor daquelas terras. Na mente de Daniel, o castelo era seu, pois trazia o suor do seu rosto e a marca dos seus dedos em cada fileira de tijolos.
Anos se passaram. As torres alcançavam as nuvens, e a fortaleza era o orgulho do vale. Daniel acreditava ter se tornado indispensável; afinal, quem mais conhecia o segredo de cada viga, a profundidade de cada alicerce?
Até que, numa manhã fria, o proprietário das terras caminhou até o portão principal acompanhado de um homem mais jovem, que trazia novas ferramentas. O senhor olhou para Daniel com cortesia distante e disse:
— O castelo está pronto e serviu muito bem ao seu propósito durante este ciclo. No entanto, os tempos mudaram, e a manutenção de sua presença aqui já não se alinha aos planos da propriedade. O jovem a seu lado ocupará o seu posto a partir de hoje. Agradeço por suas mãos, mas as portas se fecham para você no pôr do sol.
Estupefato, Daniel argumentou:
— Mas este castelo é o trabalho da minha vida! Coloquei aqui meu tempo, minhas noites e minha essência. Como posso ir embora sem nada?
O senhor apenas sorriu com serenidade fria e respondeu:
— As pedras são minhas, a terra é minha e o castelo sempre foi meu. Você foi pago pelo seu tempo, mas a estrutura pertence ao solo onde foi fincada. Você construiu uma obra grandiosa, Daniel... mas a construiu no meu terreno.
Descalço e de mãos vazias, Daniel caminhou até o alto de uma colina ao longe, onde ficava o pedaço de terra esquecido que seus pais lhe haviam deixado. Sentou-se sobre a terra nua e chorou a dor da desilusão. Foi quando um velho sábio, que observava o vale, aproximou-se e sentou-se ao seu lado.
— Sua dor não vem do trabalho que você perdeu, meu filho, mas da ilusão que você cultivou — disse o mestre suavemente. — Você confundiu o valor que você tem com a utilidade que você representava para a terra de outro homem.
O mestre desenhou um círculo no solo com um cajado e continuou:
— As empresas, os papéis sociais e até mesmo certas relações são como o vale daquele senhor. Elas nos oferecem um palco provisório, onde nosso empenho é bem-vindo enquanto atende às necessidades do momento. Mas para o "RH da vida" — essa engrenagem que mede papéis e conveniências —, somos frequentemente a ferramenta que se substitui quando a estação muda. O erro não está em trabalhar com excelência na terra alheia, mas em esquecer de erguer o próprio castelo no solo do seu espírito, da sua autonomia e da sua verdadeira identidade.
Daniel olhou para as próprias mãos, ainda fortes, calejadas e cheias de talento.
— O que me resta agora? — perguntou ele.
— Resta o mais valioso: a sabedoria das suas mãos — respondeu o sábio. — Aquele senhor ficou com as paredes, mas você ficou com a arte de construir. Agora, pegue a primeira pedra e comece a erguer a sua própria casa, aqui, no seu chão. Porque aquilo que você constrói dentro de si — o seu caráter, o seu conhecimento, o seu amor-próprio e a sua dignidade —, solo nenhum pode tomar, e senhor nenhum pode demitir.
Naquele dia, Daniel compreendeu a lição mais profunda do espírito: sirva ao mundo com dedicação, mas nunca deposite a sua existência, o seu valor e a sua segurança naquilo que não lhe pertence.
A vida nos pede para sermos bons construtores, mas nos alerta com sabedoria: trabalhe na terra do outro com honestidade, mas reserve sempre o seu melhor suor para edificar o santuário da sua própria vida.
Por Alex Sandro Alves
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