Olá! É um prazer assumir a caneta (ou o teclado) para o Blog O Escritor Dislexo. Como autor, está função quase diária, pede algo que venha do coração, com frases diretas e aquela pitada de reflexão sobre como enxergamos o mundo de um jeito diferente.
Aqui está o conto:
A Ascensão dos NOLTOS
No começo, ninguém sabia o que a palavra significava. Ela apareceu pichada nos muros da cidade, escrita em letras grandes e, às vezes, com as letras invertidas. NOLTOS. Alguns riam, dizendo que era erro de português. Mal sabiam eles que o "erro" era, na verdade, a nossa maior força.
O Despertar do Diferente
Eu sou um Nolto. Assim como muitos hoje em dia deste século, meu cérebro não segue a linha reta que a escola tentou me impor. Para nós, o alfabeto sempre foi um baile de máscaras: o B vira D, o P vira Q, e as palavras dançam conforme a música que só a gente ouve.
Por décadas, fomos chamados de "lentos" ou "distraídos". Mas o mundo mudou. As máquinas ficaram rápidas demais, lógicas demais, sem graça demais. Foi aí que a nossa "confusão" se tornou o novo ouro.
A Mudança de Jogo
A Ascensão dos Noltos começou quando as grandes empresas perceberam que quem pensa em linha reta só chega ao mesmo lugar. Eles precisavam de quem visse o desenho por trás do borrão.
- Onde viam um erro de grafia, nós víamos uma nova logomarca.
- Onde viam um relatório chato, nós criávamos uma história com começo, meio e um fim surpreendente.
- Onde viam caos, nós encontrávamos conexões que ninguém mais ousava fazer.
Ser um Nolto deixou de ser um peso para ser um título. Não precisávamos mais nos esconder atrás de corretores ortográficos automáticos. Passamos a ditar o ritmo, porque o nosso ritmo é o da criatividade pura, sem as amarras da perfeição técnica.
A Vitória da Essência
Lembro-me do dia em que o primeiro livro escrito inteiramente por um Nolto chegou ao topo dos mais vendidos. Não era o texto mais "limpo" do mundo, mas era o que mais fazia as pessoas sentirem. As pessoas estavam cansadas de robôs; elas queriam a alma humana, com todos os seus tropeços e belezas.
Hoje, quando olho para a tela e as letras resolvem brincar de esconde-esconde, eu não me desespero mais. Eu sorrio.
"A perfeição é uma linha reta, mas a vida é feita de curvas. E nós, os Nolto, somos os mestres da curva."
Nota do Autor: Este conto é dedicado a todos que, assim como eu o autor desse blog, transformam a dislexia em arte e a dificuldade em um degrau para a ascensão. No Blog O Escritor Dislexo, a gente não escreve apenas com letras; a gente escreve com a alma.
Alex Sandro Alves
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